sexta-feira, 26 de agosto de 2011

V.

Frio, porta ao bater sendo empurrada pelo vento forte da brisa que vem do norte, a cortina balança e balança muito agitada, o armário faz barulho com vento que entra pela a abertura da janela, a chuva começa cair devagarzinho até se ouvir os pingos que batem no balde do lado de fora da pequena casa. A porta do quarto se abre é vovó perguntado se estou com medo, me fez um chá quente mandou eu ir pra um lugar mais confortável e tirar um belo cochilo. A porta se fechou e eu me encontrava sozinho outra vez, bebi meu chá, fui até a janela o vento bagunço meus cabelos, minha roupa se bagunçava em meu próprio corpo, de longe na árvore vi um casal de pássaros se protegendo da chuva. Um vento mais forte veio e derrubou o pássaro de cor mais escura que eu achava que era o macho por ser mais forte, maior e ter penas mais belas. O pássaro de cor mais claro que jurei ser a fêmea por ser mais cuidadosa com os movimentos das asas, menor e sem brilho algum em suas penas, esse pássaro de cor mais claro voou até o encontro de seu parceiro que ali no chão se encontrava era estranho pois no meio daquela chuva toda senti um pingo mais doloroso no chão mesmo estando longe de mim, o pequeno pássaro parecia ferido e eu tinha que fazer algo desci as escadas e sai correndo em direção aos pássaros meus avós viram o momento em que sai correndo, foram até a janela e gritaram meu nome. Peguei o pássaro machucado, o que estava ao lado voou com medo de mim e ficou no galho da árvore me olhando e olhando, tentei conversar e sei que me entendeu, passei aquele dia de inverno cuidando do pobre pássaro, amanheceu, a tarde caiu e até quem fim a noite chegou mas o outro pássaro continuava na mesma posição a espera do seu companheiro. Depois um dia ele estava ótimo, coloquei-o na janela e com amor no coração sussurrei : te encontra com o teu amor. Ele se foi, foi ao encontro do seu pássaro amado. Daquele dia em diante coloquei na cabeça que ia ser um ótimo veterinário.





Desculpe pai por não ser doutor de gente como o senhor sempre quis mas deixo essa carta como uma explicação por me formar escondido do senhor, quando o senhor me entender eu volto só quero que me ligue e me chame de filho novamente.

Lua.

- Olá! Quanto tempo senti muita falta da vida que por tempos juntos vivemos, agora te encontrar assim em plena madrugada dizendo nada com nada e me pedindo perdão é muito estranho chega ser engraçado mas por que foi embora quando mais precisei de ti aqui comigo? Agora quer voltar? Vai voltar por que tenho um carro lançamento? Vai voltar por que tenho uma R1 na garagem? Vai voltar por que agora me sobra dinheiro pra gastar? Vai voltar por que a solidão me deixou?  Vai voltar por que? Por que vai voltar?
- Voltei porque achei uma coisa que deveria te dar.
A mulher com cara fechada estende a mão e pega entre elas um lenço com uma aliança dentro e pedaços secos de uma rosa velha. Fechou os olhos e riu.
- O que é isso? (risos)
- O laço que me prendia em você esse tempo todo agora que vou cuidar de mim precisava me livrar disso. Adeus.
Ouve dois longos segundos de eternidade até uma voz feminina sussurrar.
- Não tens outra pessoa?
- Te amo desde o dia que te conheci e continuei amando cada vez mais.
- Se me amava tanto assim por que me deixou?
- Não queria te fazer infeliz e estava fazendo... Doeu te deixar mas foi pra te fazer bem.
- Não devia ter me deixado.
- Antes vivíamos de aluguel, não tínhamos carros ou uma moto, dinheiro era pouco pra gastar com coisas banais por causa das contas. Mas com tudo isso me sentia completo contigo ao meu lado mas você disse que a solidão só te deixou agora e olhe pra você...Carros, dinheiro, moto, casa grande só falta uma coisa...
-
O que me falta?
- O brilho nos olhos. O sorriso. A garota que eu me apaixonei.
Nenhum dos dois teve qualquer reação só se escutava a respiração de ambos e o quase choro da mulher.- Boa noite...Não sei se seu nome continua o mesmo.
- Claro que continua!
- Boa noite, Lua.
O rapaz deu as costas saiu andando como se tivesse feito a coisa certa. Lua entrou pra sua casa de 13 cômodos, com carros na garagem, solidão na cama e agora o laço estava na mão dela. Oito horas depois Lua é encontrada morta ao lado do seu amado que também se encontrava morto o laço estava no pescoço de ambos e ninguém sabe explicar o crime